CULTURA 

Brasília, Broadway
Artistas brasilienses se destacam em musicais


Ruy Felipe Fiquene Conde

Divulgação
Elenco do musical Aida
Brasília ficou conhecida, nos anos 1980, como a capital do rock por ter exportado para todo Brasil bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Capital Inicial. Atualmente, artistas brasilienses estão saindo da capital federal e invadindo os palcos dos musicais brasileiros - muitas vezes ocupando os papéis principais. Talentosos, ganharam prestígio, respeito, e hoje são muito requisitados. Há quem diga que a capital do rock se transformou no grande pólo exportador de talentos para o teatro musical.

A invasão brasiliense nas grandes produções musicais do eixo Rio - São Paulo iniciou com o espetáculo "Les Misérables", em 2001. Das dez vagas para papéis principais, sete foram conquistadas por artistas de Brasília. Todos pertenciam à mesma companhia, comandada pelo maestro Marconi Araújo, que foi convidado para fazer a direção musical do espetáculo. Segundo Marconi, o fato de sua companhia ter sido formada com antecedência criou uma superioridade técnica dos seus artistas com relação aos outros profissionais. "Como os ingleses diziam, os meus alunos estavam prontos para fazer testes em qualquer lugar do mundo, inclusive na Broadway."

Para Marconi, dirigir "Les Misérables" foi um sonho, pois dispunha de uma infra-estrutura impensável em sua companhia amadora. "É como se todo meu trabalho em Brasília, feito com muito suor e sem dinheiro algum, fosse premiado por Deus, com uma montagem divina de US$ 7 milhões", comenta. Além de ter sido uma das montagens mais caras, foi o espetáculo mais visto até o ano de 2001 - atraiu 350 mil espectadores nos 11 meses que ficou em cartaz.

Destaques

Alguns nomes da época de "Les Misérables" ainda fazem sucesso e são frequentemente requisitados para fazer outros musicais, como Fred Silveira, que estudou composição e regência na UnB, foi protagonista de "West Side Story", no primeiro semestre de 2008, e hoje está em "Os Produtores", releitura de Miguel Falabela de um dos maiores sucessos da Broadway. Saulo Vasconcelos tem em seu currículo os musicais "A bela e a Fera" e "O Fantasma da Ópera", em 2005, o mais visto até hoje no Brasil, com mais de 880 mil espectadores. Atualmente, Saulo está no elenco de "A noviça rebelde".

Hoje, pelo menos 20 artistas brasilienses fazem parte do seleto circuito de musicais brasileiros. Corina Sabbas, 21 anos, saiu recentemente de Brasília para ser dona do papel que dá nome ao espetáculo "Aída". Aos 15 anos, começou a praticar aula de canto com o irmão. No início, não mostrava muito interesse, mas foi aos 16, quando fez o seu primeiro musical ("Disney para Piano e Voz"), pela Associação Brasiliense de Livres Espetáculos (Alebra), que entrou de vez no mundo do teatro musical. "Na época, estava em dúvida, mas hoje em dia vejo que foi minha melhor escolha", diz Corina.

Corina ficou sabendo da audição para o musical Aida, foi para São Paulo, fez os testes e foi escolhida para ser a protagonista. "Foi incrível, todo o processo foi marcante, a começar pelo cabelo - que tive que raspar. Nunca imaginei passar por uma mudança tão drástica", comenta. Ela diz ter sido uma experiência sem igual, pois foi o primeiro musical de grande porte do qual participou. Segundo ela, os artistas brasilienses são muito respeitados no eixo Rio-São Paulo, mas o respeito é conquistado quando realizam bem o que se propuseram a fazer, seja como protagonista ou não. "As pessoas em São Paulo dizem que é a água. Eu, particularmente, acho que Brasília possui muitos artistas talentosos. O que falta é oportunidade." Para ela, o mercado é muito pequeno e o incentivo não é suficiente.

Produção local

Assim como vários outros artistas brasilienses, Corina também participou da Alebra. A companhia iniciou suas atividades, em 2004, com o intuito de fazer um pequeno show, que acabou sendo um sucesso. Em seu currículo, alguns musicais: "Piano e Voz 2" , "Numa Rua Qualquer", "Rent - Cortina Lírica" (uma adaptação de outro musical de sucesso da Broadway), "Grease - Nos Tempos da Brilhantina", "Piano e Voz 3" e, o mais recente, "Uma Noite no Cinema".

Em 2007, a associação fez uma parceria com o Centro de Artes Claude Debussy, o que gerou a criação de uma escola da Escola de Teatro Musical de Brasília. "Na escola, os artistas aprendem canto, dança e teatro. É a maneira de prepará-los para passar nos testes dos musicais", diz Walter Augusto, diretor presidente da Alebra.


Escrito por ruyfelipe1 às 17h55
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COMPORTAMENTO 

Pancadaria de batom
Brigas em estádios de futebol atraem cada vez mais jovens mulheres


Ruy Felipe Fiquene Conde

Ruy Felipe
Integrantes da torcida Ira Jovem do Gama
"Eu e o resto das minas do bonde vamos ao estádio para torcer pelo nosso time, mas nós temos que entrar na briga porque, se a gente não entra, acaba levando porrada de graça." O relato é de uma adolescente de 17 anos, conhecida como Bruce, moradora de um bairro de classe média na cidade de Brasília, estudante do ensino médio de uma escola pública e uma das líderes da torcida organizada Ira Jovem do Gama. A cada dia que passa aumenta o número de mulheres que ingressam nas torcidas dispostas a seguir os piores exmplos masculinos.

A Ira Jovem existe há cinco anos e conquistou adeptos de todos os lugares de Brasília. Cada região tem um líder, chamado por eles de diretor, que por sua vez é subordinado ao diretor-geral. Uma vez por mês existe uma reunião para "lavar a roupa suja", quando eles analisam se há alguém que está indo de encontro às regras e o que é preciso mudar. Em dia de jogo do Gama, eles se reúnem duas horas antes para definir estratégias sobre como agir, por qual lado do estádio irão entrar e qual será a postura diante da torcida adversária.

No estádio, a provocação é inevitável e não fica só nas palavras e gestos: muitas vezes, as torcidas vão direto para as vias de fato. Segundo Bruce, a presença das mulheres mostra certa fragilidade, elas agem como uma espécie de isca para atrair torcedores adversários, mas se engana quem pensa que elas correm da briga. "Uma das nossas estratégias é ficar na linha de frente, pois quando a torcida vem para briga nós mostramos serviço e vamos até o fim. Os caras acham que porque somos mulheres não sabemos bater, aí que eles se enganam", diz Bruce. Atualmente, 15 mulheres participam da Ira Jovem - todas menores de idade.

Prova de fogo

Para fazer parte da torcida existem alguns pré-requisitos, no mínimo, questionáveis. É necessário dedicar-se intensamente e saber brigar, pois além de ter que participar da violenta rotina no estádio, um dos testes feitos pelos diretores para ver se a pessoa é capaz de ingressar na torcida é o de "roubar o pano" do adversário.

Ruy Felipe
"Pano" roubado da torcida adversária
O pano é tudo aquilo que tem nome da outra torcida: boné, blusa, calça e bandeira. Depois do roubo, a torcida faz fotos destruindo os artigos dos adversários. Pisam, rasgam, queimam e até vendem os itens roubados.

Para as meninas, o fato de serem mulheres não as exime de nada. Para Bruce começar a fazer parte da torcida, teve que passar pelo teste de roubar um pano. "Os diretores ficaram me olhando de longe para ver se eu conseguia. Passou um cara e eu pedi para ele tirar a blusa. Ele não tirou. Eu parti para cima e o coloquei no chão. Tirei a blusa e o short, deixando ele só de cueca no meio da rua."

Para ganhar confiança com os diretores é preciso ter atitude e roubar muito pano da outra torcida. "Eu já roubei muito e hoje sou co-diretora", comenta Bruce. Ela diz já ter passado por muitas situações embaraçosas, como no jogo Gama x Ponte Preta, onde uma das participantes da Ira Jovem foi parar no hospital com fraturas no corpo. "Nós começamos a provocar as meninas da Ponte, só que elas estavam em maior número - nós estávamos em cinco. No final do jogo, elas armaram uma emboscada e nos pegaram. Acabou virando uma confusão generalizada."

Falta diálogo

Na opinião da psicóloga comportamental Roberta Pohl, a falta de diálogo entre os jovens e seus pais leva as adolescentes a procurarem respostas para seus questionamentos fora de casa, muitas vezes com amigos que também estão passando pela mesma situação.

Através da rebeldia - com drogas, bebidas ou mesmo se envolvendo em brigas -, eles buscam chamar a atenção dos familiares. Estes atos estão diretamente relacionados ao comportamento típico de adolescentes, mas pode ser totalmente prejudicial se não trabalhado de forma correta a amenizá-lo, podendo levar a caminhos sem volta. "É necessário que os pais fiquem mais atentos às atitudes dos filhos adolescentes, pois nessa fase eles precisam de mais apoio", diz a psicóloga.




Escrito por ruyfelipe1 às 17h55
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CIDADANIA 

Inclusão PositHIVa
ONG promove oportunidade de trabalho para soropositivos através da confecção de produtos artesanais.
Ruy Felipe Fiquene Conde

Ruy Felipe
luis Carlos Vieira, participa das oficinas de artesanato
Promover a inclusão social de pessoas soropositvas no mercado de trabalho, ainda hoje, é um desafio. Apesar do fácil acesso ao esclarecimento da doença, o preconceito continua fazendo parte da sociedade. Pensando nas dificuldades, a Associação Brasiliense de Combate à Aids Grupo Arco-Íris, em parceria com a Petrobras, implantou o projeto Espaço de Arte e Saúde PositHIVa, que capacita os portadores do vírus Hiv/Aids do Distrito Federal a confeccionar produtos artesanais.

O projeto oferece oficinas de artesanatos de velas, pintura em tecido, arte em jornal, embalagens, corte e costura, customização, pintura em caixa de madeira, biscuit, pintura em vidro e marchetaria. Atualmente, o projeto atende em suas oficinas, 100 portadores do vírus que residem no DF. "Existe a vontade de ampliar o projeto para que possa atender mais pessoas, mas o que condiciona essa ampliação é o potencial de sustentabilidade que aos poucos estamos implantando", comenta Sabino Manda, responsável pelo marketing social.

Ruy Felipe
Voluntários do projeto
Depois do término do curso, os participantes recebem da Secretaria de Estado de Trabalho do DF uma carteira de artesão, capacitando-os para trabalhar em feiras, exposições e pontos de vendas. As oficinas cumprem um papel de promover a interação dos portadores e dar estímulos profissionais, haja vista, que o preconceito ainda é um grande obstáculo enfrentado por eles na hora da busca por um emprego. "É como se os portadores do vírus tivessem uma marca que os diferenciasse das outras pessoas, dificultando na hora da busca de oportunidades profissionais", diz Sabino.

Além da capacitação básica, a associação oferece aos portadores apoio psico-pedagógico, com reuniões de socialização, trazendo informações sobre a doença e visando a melhoria de qualidade de vida deles. Fundada em 1990, a associação surgiu como uma resposta ao aumento dos casos de infecção pelo vírus e devido à necessidade de que tivesse uma instituição que prestasse apoio aos soropositivos. Foi a primeira Organização Não-Governamental criada no Distrito Federal com essa finalidade.

Para a assistente social Magda Cardoso, 44 anos, a associação tem sido de fundamental importância na vida dos soropositivos. O preconceito, na maioria das vezes, começa do portador para com ele mesmo, devido à falta de informação e esclarecimento. "Muitas pessoas vem até a associação pensando que a vida acabou e aqui nós mostramos que isso não é verdade", diz Magda.

Luis Carlos Vieira, 40 anos, portador do vírus há oito, procurou a associação em 2001, pois achava que a sua vida tinha acabado. "As reuniões de mútua-ajuda me levaram traçar objetivos para a minha vida." Luis diz ter sofrido preconceito antes mesmo de ter tido o diagnóstico, pois já apresentava algumas doenças oportunistas. Hoje, Luis atua na causa a favor dos portadores de HIV/Aids e participa das oficinas de artesanatos, que segundo ele, já estão despertando a vontade de querer crescer e vencer profissionalmente. "Depois que os cursos terminarem, vou sair em campo para vender meus produtos", diz Luis.

A ONG promove, além dos trabalhos com os soropositivos, a realização de palestras e eventos na divulgação do combate a Aids. As pessoas que se interessarem pela causa, podem mandar um e-mail para: abcagrupoarco-iris@terra.com.br; e ficar por dentro de todos os projetos realizados.


Escrito por ruyfelipe1 às 00h17
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POLÍTICA 

A difícil regulamentação do lobby

Projeto de lei que define obrigações e limites dos lobistas tramita há 18 anos no Congresso

Ruy Felipe Fiquene Conde

Ruy Felipe
Umbelino Lôbo - lobista assumido
O projeto de lei de autoria do senador Marco Maciel (DEM-PE) que regulamenta a atividade de lobista está pronto para votação há 18 anos. Recentemente, os Democratas mostraram interesse na aceleração do tramites para a votação. No Brasil, o lobismo é freqüentemente, associado à corrupção e ao tráfico de influência. Para os defensores da atividade, no entanto, a articulação legítima é desejável em um ambiente democrático e a sua regulamentação poderá tornar a prática mais transparente.

Para os pró-lobby, a democracia permite ao povo estar por dentro de todas as decisões políticas. O Lobby é um meio legal de pressão política da sociedade e faz parte do regime democrático. O lobista busca influenciar decisões do poder público em favor de determinados grupos. A palavra vem do inglês, e significa ante-salas, locais onde determinados grupos se reuniam à espera de uma audiência com os parlamentares para reivindicarem coisas de seus interesses.

Nos Estados Unidos o lobby, é uma atividade legal e está prevista na Lei Federal de 1946 que o regulamenta. Segundo Andréia Cristina Oliveira Gozeto, doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas (Unicamp), pesquisadora e professora de Ciência Política da Universidade Nove de Julho, nos EUA a prática funciona e é considerada como parte do processo político.  Por ser regulamentada por leis, existe uma diminuição a margem de interpretações de corrupção o que dificulta a prática do crime. Mesmo assim, muitas dúvidas e suspeitas continuam a rondar a atividade e seus participantes. "Assim, é impossível afirmar que a transparência seja nítida e inquestionável", diz Andréia.

"Amigo do rei"

A criação do estigma de marginalidade do lobbying teve início na década de 70 e está relacionado à estrutura do Estado brasileiro. Durante a ditadura militar, o Congresso foi enfraquecido e o atendimento de demandas se tornou atribuição do poder Executivo. Além disso, o processo de tomada de decisões e as informações que subsidiariam essas decisões eram muito centralizados. Nesse contexto, surge à figura do "amigo do rei", que detinha em suas mãos a compra de acessos e resultados. "Conhecer ministros influentes ou militares em cargos estratégicos era essencial para o sucesso do lobista. No entanto, todo o processo se desenrolava na clandestinidade", completa Andréia Cristina.

Para o cientista político Renato Roll, a absorção da palavra em nossa língua ocorreu com desvios de conotação, já que o entendimento correto do termo original pela população não aconteceu. "Existe ainda uma discussão sobre a utilização de outros termos similares para designar atividade, como relações governamentais, de maneira a desvencilhar essa conotação negativa da atividade exercida", diz Roll.

No decorrer do tempo, o lobby adquiriu um significado pejorativo associado às praticas ilegais de negociações políticas no Brasil, que vão desde o tráfico de influência a pagamentos de propinas, e "mensalões." A falta de legislação permitiu que houvesse uma grande confusão da opinião publica, pois à prática ilegítima acabou por se confundir com a legítima.

Ruy Felipe
Congresso Nacional
Regulamentação

Em 1989, o senador Marco Maciel apresentou o projeto de lei que só foi aprovado em 1990, e em seguida, levado a Câmara dos Deputados, onde até hoje aguarda por votação.

O projeto visa definir os modos e limites da atuação dos lobistas, que deverão usar crachá e indicar os interessados em seus serviços e as matérias para as quais vão trabalhar pela aprovação ou rejeição. As pessoas físicas e jurídicas que desejarem influenciar o processo legislativo deverão se registrar nas mesas da Câmara e do Senado.

Segundo a assessoria do deputado Rodrigo Maia, presidente do partido Democratas, a regulamentação do lobby é fundamental para dar transparência à atuação legítima dos lobistas.

Na opinião do líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), muitas matérias relevantes às vezes demoram a serem apreciadas e votadas no Congresso Nacional. Além dessa questão, também existem outras que precisariam ser avaliadas e votadas com mais celeridade. "O Congresso Nacional precisa ser mais dinâmico e rápido no estudo de projetos de lei." Para Fontana, não há porque não existir a regulamentação do lobby, afinal, todas as reivindicações são legítimas, mesmo que se possa discordar dos méritos das mesmas. No entanto, Fontana deixa bem claro o fato de que só a regulamentação da profissão de lobista não é suficiente para resolver o problema da corrupção no Brasil.

Para Renato Roll, a regulamentação é fundamental e deve proteger os profissionais e políticos que exercem suas funções dentro da legalidade, favorecendo um melhor entendimento das atividades do setor por parte da sociedade. "Todavia, nenhuma lei ou regulamentação é eficaz sem a existência de fiscalização à altura", assinala.

Existem muitos interesses envolvidos na regulamentação da atividade. Os profissionais da área, os políticos e a sociedade civil têm interesse que essa atividade seja realizada as claras. Para os políticos e lobistas, o interesse está na melhoria de sua imagem. Já a sociedade só tem a ganhar com a transparência das atividades, favorecendo o exercício da fiscalização das atividades públicas.
 
Lobista de carteirinha

Para Antônio Marcos Umbelino Lôbo, especialista na área de relações governamentais, diretor superintendente da Umbelino Assessoria e Consultoria e lobista assumido, demorou muito para o projeto de lei ser discutido novamente. Para ele, o lobby é a defesa de interesses legítimos frente aos poderes públicos de forma transparente. "Mas do que um direito é dever do setor privado manter um canal com os órgãos públicos. A atividade legitima é essencial para manter um bom exercício da democracia."

Segundo Umbelino, o lobby é uma atividade comum a todos. "Em toda a atividade humana você acaba sendo uma peça política e fazendo lobby no sentido técnico da palavra, no sentido da origem dela, acaba por ser uma tentativa de influenciar algo de alguma forma."

Umbelino preside a Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig) composta por um grupo de lobistas dispostos a dissociar a imagem do lobby de denúncias de corrupção no país.

A associação dispõe de um código de conduta que designa o que cada profissional deve ou não fazer, e também de um conselho de ética formado por advogados e pessoas que não são ligados à Abrig. "Não se muda cultura por decreto temos que mostrar o aditivo." Na opinião do lobista o segredo para o reconhecimento da prática pela sociedade é transparência. "Não podemos trabalhar com informações capciosas, temos que ser honestos e agir de acordo com a legalidade", enfatiza.


Escrito por ruyfelipe1 às 21h23
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Prejuízos bilionários

MEIO AMBIENTE 

Prejuízos bilionários
Pirataria ambiental gera prejuízos anuais de US$ 5,7 bilhões, diz Ibama


Ruy Felipe Fiquene Conde

Ruy Felipe
Açaí, fruta típica Brasileira foi patenteada,em 2003, por empresas japonesas, mas depois de disputas judiciais o Brasil conseguiu recupera-la
O Brasil tem um prejuízo diário, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de aproximadamente 16 milhões de dólares (US$ 5,7 bilhões anuais) com a biopirataria. O avanço da biotecnologia e a falta de recursos legais de proteção da biodiversidade facilitam a ação dos criminosos. Por ser um país dono de uma das maiores biodiversidades do planeta, o Brasil é uma das principais rotas escolhidas pelos biopiratas. Muitas espécies da fauna, flora e vários conhecimentos de comunidades tradicionais são explorados e retirados da natureza de forma ilegal, trazendo prejuízos incalculáveis ao meio ambiente.

A biopirataria não é um assunto novo no Brasil. Logo após a descoberta pelos portugueses, em 1500, já se podia observar a existência da prática criminosa. Aproveitando-se da ingenuidade dos índios, os colonizadores conseguiam a informação de como extrair o pigmento vermelho do pau-brasil com a finalidade de tingir tecidos que seriam vendidos na Europa.
 
A prática da biopirataria não se resume à manipulação e contrabando de espécies da fauna e flora: o principal interesse dos biopiratas se dá na apropriação ilegal dos conhecimentos das comunidades tradicionais que detêm informações sobre os recursos naturais. São muitos os casos de biopirataria no Brasil. Vários registros de patentes são pouco conhecidos pela população brasileira. O cupuaçu, fruta típica das regiões Norte e Nordeste, teve o registro de sua patente feito por empresas japonesas em 1998, mas o Brasil só tomou conhecimento do episódio quatro anos depois. Em 2004, depois de muita disputa judicial, o Brasil resgatou a marca cupuaçu e retomou o domínio popular da fruta.
 
Outro caso é do açaí, uma fruta típica da Amazônia, que também teve sua patente registrada por uma empresa japonesa, mas depois de algumas disputas judiciais o Brasil conseguiu recuperá-la. Já o caso da planta medicinal amazônica aayahusca, usada por comunidades indígenas em seus rituais sagrados, como o padre usa o vinho sacramental na eucaristia, se perpetua. A espécie foi patenteada por uma multinacional americana, que usa a planta como base de relaxantes musculares - o medicamento é vendido livremente nos Estados Unidos. A lista de espécies brasileiras patenteadas por empresas estrangeiras não se resume a esses três casos. No imenso hall se encontram também a copaíba, espinheira santa, andiroba, aborandi; princípios ativos de animais como jararaca, sapo kampô, aranha marrom, dentre várias outras espécies.
 
Danos incalculáveis
 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calcula que a biodiversidade brasileira tem o valor potencial de seu patrimônio estimado em US$ 2 trilhões. Na opinião do economista Hermano de Oliveira Gvozdanovic Villar, o prejuízo é proporcional ao patrimônio estimado e se dá principalmente por conta dos royalties pagos por produtos conseguidos através das matérias-primas e de outros recursos naturais do Brasil. A solução para a diminuição do prejuízo seria uma fiscalização maior das saídas desses recursos naturais, mas isso se torna complicado pelo fato de o Brasil ser um país com áreas continentais, o que traz grandes problemas para uma fiscalização eficaz.
 
Muito mais grave do que os milhões retirados do Brasil, são os incalculáveis prejuízos que a biopirataria traz tanto sócio-culturalmente quanto para o meio ambiente. A exploração de conhecimentos e técnicas utilizadas por comunidades indígenas brasileiras para a exportação e comercialização é um ato ilegal que está previsto na Constituição Federal, no Estatuto do Índio, que assegura o usufruto exclusivo dos mesmos sobre as riquezas naturais de suas terras.

Os índigenas não podem fazer parcerias ou ser assessorados por terceiros em projetos que visem a exploração de seus recursos naturais. Outro ponto importante é a retirada ilegal de espécies da fauna e flora que são utilizados como cobaias em muitos países para a descoberta de medicamentos, essências, produtos de beleza, entre outros. No caso dos animais silvestres, muitos são vendidos para colecionadores em várias partes do mundo.

Falso turistas

Segundo a bióloga Sâmara Teixeira da UnB, dentre todos os prejuízos que a biopirataria pode trazer o mais grave é para o meio ambiente. "Ele é a base para que todas as outras coisas funcionem bem e mantenham-se vivas." Além disso, a biopirataria contribui nos problemas ecológicos e geográficos como o efeito estufa, poluição, desequilíbrio ecológico e aquecimento global. Para Sâmara, a fiscalização deveria ser mais rigorosa. Na maioria das vezes, os biopiratas se fazem passar por turistas ou cientistas à procura de essências, produtos ativos para medicamentos e comercialização em indústrias farmacêuticas. "Isto é prova de que é preciso aprimorar a fiscalização."
 
A biopirataria está prevista na lei de crimes ambientais, de 1998, que proíbe a retirada ilegal de madeira e de outros produtos oriundos da floresta para fins comerciais e no Decreto nº. 5.459, de 2005. Combinadas, as legislações prevêem multas e prisões que são brandas perto dos prejuízos milionários que o crime promove. Para o ambientalista Raulff Lima, especialista no tráfico de animais silvestres, é necessária uma melhor especificação das penalidades em relação à biopirataria. "Só com leis severas e penalidades duras veremos a diminuição do crime."


Escrito por ruyfelipe1 às 21h21
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